FICHAMENTO "TEORIA DO NÃO-OBJETO"
fichamento da leitura de “teoria do não-objeto”, de ferreira gullar
- o não-objeto na pintura:
- os pintores começaram a não mais representar objetos, mas mesmo a pintura abstrata se apoia em signos (não é não-objeto)
- mondrian chegou perto de desassociar sua pintura de objetos, sobretudo após se livrar das linhas (imagem: "broadway boogie-woogie", de mondrian, sem linhas)
- isso mostra que o verdadeiro não objeto na pintura é a obra de arte que dispensa a moldura, por estar no espaço e não na tela (imagem: "merzbau", de schwitters, no espaço)
- hoje a ‘pintura' tende hoje a extrapolar esse espaço definido (imagens: telas destruídas de fontana e de burri), mas os resultados (como essas duas obras) ainda são objetos
- o não-objeto na escultura:
- a eliminação da base elimina a massa e o peso que tornariam a escultura não-figurativa um objeto
- quando essa eliminação ocorre, a obra é um não-objeto (imagens: "contrarelevo" de tatlin, obra de vantongerloo, "suprematismo" de malevitch - não têm base)
- o objetivo máximo de tudo isso (da busca por um não-objeto) é a criação de uma obra que seja livre de qualquer significação que não sua própria existência, porque isso o difere de um objeto
- o objeto existe em dois planos (nome/significado/uso e coisa), enquanto o não objeto é íntegro (seu significado é sua forma; dispensa intermediário, não depende de um sujeito para existência porque não é útil; não representa nada, só se apresenta)
- uma obra não-figurativa não necessariamente é um não-objeto, porque formas geométricas frequentemente ainda fazem alusão a objetos e estão opostas a um fundo, um espaço fictício e portanto definido, que não existe no não-objeto
- no não-objeto, o fundo é mundo, o mesmo mundo em que os objetos estão
- para criar um não-objeto não basta apenas eliminar a base ou a moldura; a criação deve ocorrer desde o início sem a base ou moldura
- também é isso que difere o não-objeto de um objeto: apesar de os dois terem o mundo como fundo, o não-objeto foi criado diretamente no mundo e por isso o transcende
- o que o artista busca criar não é mais, ou nunca foi, ‘pintura' ou ‘escultura’, e sim uma experiência primeira do mundo, sem linguagem (por isso as palavras não podem mais definir a obra de arte)
- para alcançar a experiência primeira do mundo, o não-objeto deve ser criado da não-significação para significação, em vez de o contrário, ou seja, ser criado deliberadamente tentando romper com a linguagem
- o não-objeto na poesia é um antidicionário, uma palavra isolada com significado pleno sendo irradiado
- a avaliação da poesia é importante porque permite perceber que o não-objeto, apesar de ser diferente em cada campo (poesia, escultura, pintura), exige uma interpenetração do plástico e do verbal e deve envolver os cinco sentidos, porque nenhuma experiência envolve só um
- ligações com as "lições de arquitetura" de hertzberger:
- para um não-objeto ser um não-objeto, a contemplação do espectador não basta; o não-objeto precisa ser usado pelo espectador, assim como o espaço, sobretudo o público, deve ser reivindicado pelas pessoas para hertzberger
- o não-objeto é inconcluso e pede para ser concluído, da mesma forma que hertzberger sugere que os espaços sejam construídos de forma a permitir que o usuário o complete
- nesse processo de intervenção ativa do espectador, deve haver incorporação de parte do usuário no não-objeto para que o não objeto esteja completo, da mesma forma que os espaços hertzbergerianos precisam ter características do usuário para serem o mais adequados possível
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