SEMINÁRIO NEOCONCRETISTAS + CINÉTICOS
NEOCONCRETISTAS - sobre os "relevos espaciais" e "núcleos" de hélio oiticica
contexto histórico/ biográfico -
hélio oiticica foi um artista plástico nascido em 1937, no rio de janeiro
ele fez parte do grupo frente, grupo concretista carioca dos anos cinquenta, e, em 1959, inaugurou o movimento neoconcretista junto a ferreira gullar, lygia pape e lygia clark
antes de fazer os relevos espaciais, a obra de oiticica era caracterizada principalmente por pinturas concretas de formas geométricas coloridas
sobre as obras -
os relevos espaciais de oiticica são chapas de madeira pintadas de cores vibrantes, principalmente amarelo, laranja e vermelho, e suspensas no ar por fios de nylon
os núcleos, também chamados de penetráveis, são feitos da mesma forma, mas a obra não é a própria chapa, e sim um conjunto de várias chapas suspensas em uma altura mais baixa, de forma a compor algo semelhante a um labirinto, um complexo pelo qual o espectador pode andar
as duas obras se encaixam muito bem na descrição de não-objeto, por diversos motivos:
- dispensam a base; os fios transparentes que as sustentam fazem parecer que estão flutuando, sem conexão alguma com qualquer superfície, como se tivessem surgido espontaneamente no espaço
- além disso, o fato de serem pendurados faz com que não pareçam ter peso nem massa, uma característica importante ressaltada no manifesto de gullar
- elas não representam nada; assim como as pinturas anteriores de oiticica, elas são nelas mesmas, apenas formas geométricas e cores, e não remetem a nenhuma ideia ou objeto já existente
- por isso elas se encaixariam até mesmo na definição de não-objeto na pintura; é possível considerar os relevos e os núcleos a tridimensionalização das obras anteriores de oiticica, ou seja, a retirada de suas pinturas concretas da moldura
- ambas pedem a participação do espectador e são incompletas sem ele; os relevos espaciais porque são compostos por reentrâncias e mudam dependendo do ângulo do qual são vistos, e os núcleos de uma forma ainda mais literal, como diz o próprio nome “penetrável”, porque eles só fazem sentido quando são adentrados pelo espectador
- a tridimensionalidade e a suspensão das duas séries permite que o espectador contorne as obras e as veja de todos os ângulos, e essas características tornam os núcleos quase que um espaços por si mesmos
- dois espectadores nunca verão a mesma obra da mesma forma, devido a essa tridimensionalidade e variedade de perspectivas possíveis, o que significa que, para contemplá-la, o espectador põe um pouco de si nela
ARTE CINÉTICA - sobre o artista jean tinguely
sobre a arte cinética -
teve início com a exposição "le mouvement”, em paris, em 1955, e propunha novas reflexões a partir do uso do movimento na arte
teve influências do dadaísmo e do construtivismo, e suas principais obras são móbiles, esculturas mecanizadas e trabalhos de op art
tem como características, além da presença do movimento, a dependência da perspectiva do espectador, o uso de repetição, tridimensionalidade e profundidade, a importância da cor, luz e sombra e a oposição à arte figurativa
sobre o artista -
- jean tinguely foi um escultor e artista experimental nascido na suíça, em 1925
- seu trabalho com as esculturas cinéticas teve início em paris, nos anos cinquenta, quando começou a produzir relevos e esculturas móveis em arame metálico, além de criar as “anti-máquinas”
- em 1959, tinguely desenvolveu sua série de “meta-matics”, estruturas semelhantes a robôs que produziam obras de arte e questionavam o papel do criador e do espectador na era das máquinas
- nos anos sessenta, tinguely escreveu o manifesto “fur statik”, defendendo a aceitação da instabilidade e do movimento constante como essência - isso inaugurou sua arte autodestrutiva: máquinas que, ao funcionar, detonavam a si mesmas, como uma forma de alcançar a desmaterialização da arte e a instabilidade
- outra característica fundamental do trabalho de tinguely nessa época foi o uso de materiais descartados ou reciclados para fazer suas obras de arte
- a partir de 1978, ele passou a criar experiências visuais e teatrais através de máquinas de mixagem acústica
- na década de 80, tinguely produziu a série “dança macabra”, máquinas cinéticas compostas também por elementos orgânicos, como crânios e ossos
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